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1 – Igreja Matriz A Igreja
actual, dedicada a S. Cipriano, apresenta, na sua fábrica, planta de
três naves, separadas por arcos formeiros assentes em grossas colunas
toscanas, um arco triunfal de meio ponto, neoclássico, e uma capela mor
relativamente exígua para as proporções da igreja. Em contrapartida,
exibe um retábulo barroco de grande beleza, bem como outros laterais da
mesma época. A fachada é de feição barroca, bastante imponente e
abraçada por duas torres sineiras.
Esta igreja foi reconstruída no século passado, após o derrube de quase toda ela por um vendaval, em 2 de Janeiro de 1877.
2 – Memória Para
homenagear os heróicos defensores do Minho, durante a “Guerra
Peninsular”, foi inaugurado, em Vila Nova de Cerveira, um monumento a 5
de Setembro de 1909. Este assenta em cinco balas de ferro bronzeado e
uma pirâmide que remata por uma estrela hexagonal, de cobre dourado.
A pirâmide tem, numa das faces, o escudo real com silva e, na outra, as armas de Vila Nova de Cerveira.
A
“Memória” foi construída por subscrição popular. A primeira pedra foi
implantada no dia 15 de Fevereiro de 1909. Reinava, então, D. Manuel II.
3- Casa Verde Imponente
construção apalaçada, final do século XIX de estilo brasileiro, que se
desdobra em rés-do-chão, primeiro andar e águas furtadas. A fachada
exterior está coberta por azulejos de tonalidade esverdeada e a
platibanda recortada, coroada de cráteras em granito, com um guerreiro
romano, em faiança branca a ocupar a parte central.
4– Fonte da Vila A
Fonte da Vila foi o local onde, até ao aparecimento da água canalizada,
a população se vinha abastecer. Por este facto, foi um espaço de
encontro e de divulgação de notícias. Tratasse de uma fonte de
mergulho, com acesso em escadaria, com frontão triangular moldurado. No
espelho da fonte, encontra-se um escudo com as armas reais encimado por
uma coroa. Pelo tipo de escudo e frontão, a sua cronologia aponta para
meados do séc. XVII. Sobressaem ainda as três bicas em forma de
carranca.
5 – Castelo de Vila Nova de Cerveira Surgiu
por volta de 1320, por vontade do monarca D. Dinis, com a finalidade de
defender a recém criada povoação de Vila Nova de Cerveira.
De
forma oval, medindo cerca 260 metros de perímetro, com o eixo maior de
90 metros e o menor de 65, o castelo de Cerveira encontra-se defendido
por oito torres, quadradas, das quais cinco se encostam à cortina do
Sul, por ser a de mais fácil ataque. As muralhas têm 7,50 metros de
altura sobre 2 metros de espessura e as torres vão de 8 a 13 metros de
bombardeiras. Os muros de barbacã atingem 6 metros com 1,50 de
grossura, acompanhando a saliência dos torreões.
Conserva ainda
toda a couraça medieval de muros, cujas pedras enegrecidas pelo tempo
mostram as marcas dos 55 pedreiros que o reformaram nos fins do século
XV. Mantêm-se íntegras algumas portas, tais como a do acesso e a de
recurso, habitualmente denominada porta da traição, ambas de tipo
ogival correspondente à época da construção: a porta de honra é a da
torre principal (dos Mouros ou de Menagem) e que foi demolida até meio
em 1844. Sobre as aduchas dos seus arcos vêem-se ainda os escudos de D.
Dinis.
As cortinas entre os cubos salientes denotam obra de
várias épocas, como facilmente mostram o modo de construção, indo o
enxerto da bateria joanina sobre o rio, pelo lado do poente.
6 - Capela de Nossa Senhora da Ajuda Sobre
a Porta da Vila e barbacã foi construída, por volta de 1650, a capela
de Nossa Senhora da Ajuda. Trata-se de um pequeno templo, a condizer
com a arquitectura da época, mas cujas armas reais, primitivamente em
talha dourada, foram feitas pelo canteiro Justino José Esteves, em 1908. O
tecto, apainelado, apresenta pinturas alegóricas à padroeira. As
paredes estão revestidas por azulejos, tipo tapete, da fábrica de
Coimbra. Calcula-se que sejam de fins do século XVII.
Foi sede, também, de uma confraria de militares.
7- Igreja da Misericórdia A
Igreja da Misericórdia é dedicada ao Senhor Ecce-Homo, cuja imagem,
segundo a tradição, foi encontrada enterrada no lugar das Cortes e,
desde tempos imemoriais profundamente venerada pelos povos da região e
até da vizinha Galiza.
A sua existência remonta à criação da
Santa Casa da Misericórdia, que da veneração pelo Senhor Ecce- Homo
mandou construir um altar em inícios do séc. XVII, para mais tarde
ampliar para uma capela. A construção da igreja actual foi iniciada
por volta de 1811. Sobre a porta principal sobressai a coroa da realeza
portuguesa. No interior da igreja conservam-se duas imagens anteriores
à construção da mesma: Nossa Senhora do Leite, em pedra ançã, do séc.XV
e o Senhor Ecce-Homo, em madeira, coberto por um manto, do final do
séc.XVI.
8 – Pelourinho Localiza-se
dentro do castelo, em frente aos antigos Paços do Concelho e datado de
1547. Assente sobre quatro degraus quadrangulares, ergue-se num fuste
oitavado, encimado pelo capitel paralelepipédico de bom efeito
decorativo e ornamentado com quatro escudetes, em granito de Sopo. Os
escudetes têm as quinas, um emblema heráldico dos Viscondes de Vila
Nova de Cerveira e a data de construção nos restantes dois.
O pelourinho de Cerveira é símbolo de jurisdição municipal.
9 – Solar dos Castros Magnífico
edifício, que ostenta na parte central o brasão dos Castro – seis
arruelas dentro de escudo oval, suportado por dois leões armados em
tenentes. Actualmente alberga a Biblioteca Municipal.
A sua
classificação como Imóvel de Interesse Público, em 1970, deveu-se ao
facto de se tratar de uma bela construção do século XVII, que foi
incendiado e saqueado durante as Guerras da Restauração. Reconstruído
no século XVIII adquiriu a traça arquitectónica que ainda hoje mantém.
Contém
uma vasta galeria arquitravada com colunas dóricas. A fachada principal
apresenta dois corpos de quatro sacadas, seis gárgulas e grande
cimalha. É também de grande relevo a magnífica escadaria interior, bem
como uma ampla varanda de colunas sobre um grande jardim murado, que se
situa nas traseiras do edifício. 10 - Estação de Via Sacra com 7 nichos da Paixão de Cristo Trata-se
de um conjunto de sete oratórios, com os Passos da Via Sacra, em estilo
barroco, construídos no século XVIII. Distribuem-se pelo aro histórico
da vila e, na Semana Santa, são palco de manifestações de fé. A fachada
é constituída por duas pilastras com capiteis Jónicos, que sustentam um
frontão quebrado em forma de voluptas. O frontão é encimado ao centro
por uma cruz e por dois pináculos nas extremidades.
O nicho
que se encontra situado na Travessa da Matriz, de arquitectura
setecentista, é semelhante aos demais. O Senhor do Horto é composto por
um Cristo angustiado, de joelhos, e um Anjo que lhe apresenta o cálice
da amargura na noite da Sua Prisão.
Incrustado na parede da
Quinta das Penas, na confluência da Rua das Penas com a Rua da Calçada,
encontra-se o nicho do Senhor do Pretório. Aqui, o Senhor está de mãos
atadas e de manto púrpura.
Na estrada nacional n.º 13, alguns
metros a norte da ligação ao hospital, está o Senhor da Prisão, onde
Cristo está preso à coluna.
Na direcção do Arrabalde, situa-se o
Senhor da Cana Verde, que se conserva na sua capela-nicho, construída
no entroncamento desta rua com a Travessa do Arrabalde.
No
início da Rua Queiróz Ribeiro, na confluência com a Travessa do Senhor
dos Passos, regista-se a capela do Senhor das Oliveiras. Este nicho
apresenta o Senhor ao ser-lhe entregue a cruz.. Situado na Rua Costa
Pereira, o Senhor dos Passos carrega a cruz e, por fim, o último dos
nichos é dedicado ao Senhor dos Martírios, que se encontra acoplado à
parede do Solar dos Castros.
11 – Antigo Hospital O corpo principal do edifício data dos inícios do século XVIII. Trata-se de uma construção apalaçada, de modelo neoclássico.
No
ano de 1862, ao ser comprado pela Misericórdia, passou a albergar o
hospital. É nesta época que lhe é acrescentado o corpo Oeste.
Posteriormente teve outras funções, sendo hoje em dia ocupado pela
Escola Tecnológica Artística e Profissional do Vale do Minho.
12 – Capela de S. Sebastião A
devoção a S. Sebastião ganhou importância com o decorrer das Guerras da
Restauração, tendo decorrido a construção desta capela entre os finais
do século XVII e inícios do século XVIII, pela guarnição militar que se
abrigava no interior do castelo. Trata-se de um edifício de estilo
popular, desprovido de ornatos. No interior destaca-se o altar em talha
dourada, assim como as imagens de S. Sebastião, Nossa Senhora das Dores
e Santa Cecília. Estrategicamente virada para o rio, fora pensada para
pedir protecção da fome, da peste e da guerra.
13 – Aro Arqueológico de Lovelhe Localizado
entre a Ponte da Amizade e a Praia da Lenta, compreende uma vasta área
com vestígios arqueológicos que nos mostram os últimos 2100 anos de
história. O monte de Lovelhe foi um local que desde cedo conheceu
a ocupação humana. Corria o final do 1º milénio a.c. quando aqui surgiu
o primeiro povoado - um castro. Tratava-se de uma pequena comunidade
vocacionada para a exploração dos recursos piscícolas. Contudo, este
local rapidamente conheceria o advento da romanização, fruto da
facilidade de contactos comerciais que se podiam desenvolver através do
Rio Minho. Aliás, ao chegarmos ao séc. IV d.c., momento em que aqui
existia uma importante villae romana, vamos detectar a existência de um
porto, e vastas áreas de armazenagem de ânforas, vasos destinados a
conter vinho, azeite entre outros produtos, todos eles destinados,
àquilo que era à época um comércio bem estruturado. Desta forma vemos
surgir entre os inúmeros vestígios arqueológicos restos de cerâmicas
gregas, vidros fenícios e moedas romanas provenientes dos locais mais
distantes do Império.
14 – Forte de Lovelhe A
situação fronteiriça de Vila Nova de Cerveira, expô-la com gravidade
aos perigos da guerra com a vizinha Espanha. Entretanto, para fechar o
cerco a qualquer tentativa de passagem pelo Rio Minho, foi construído o
Forte de Lovelhe.
O Forte é produto de engenharia militar da
época, foi construído entre 1660 e 1662 sob a direcção do Mestre de
Campo General D. Francisco de Azevedo. É uma fortaleza abaluartada, com
a forma de um trapézio e estava preparado para resistir às tentativas
de união ibérica preconizada pela dinastia filipina, acabando contudo
por prestar outros relevantes serviços ao país, nas guerras que se
seguiram, isto é na Guerra de Sucessão de Espanha, na Guerra do Pacto
de Família e na Guerra Peninsular. A sua acção foi contudo bem mais
relevante, quando das Invasões Francesas, ao impedir as tropas sob o
comando de Soult de efectuarem a travessia do Rio Minho, em frente a
Vila Nova de Cerveira, em 13 de Fevereiro de 1809.
15 - Fortim da Atalaia A
atalaia é a mais pequena das fortificações que constituíram o conjunto
defensivo de vila nova de Cerveira, desde os tempos mais remotos,
garantindo igualmente com a sua participação na defesa do Minho.
Situa-se
na Serra da Gávea, a poente da Capela de Nossa Senhora da Encarnação,
num cotovelo do monte, do qual se avista toda a vasta área do rio
Minho, desde terras de Valença a território de Caminha. Trata-se de um
pequeno fortim de forma circular, actualmente encoberto por denso
matagal, composto de vegetação de pequeno porte e frondosas mimosas.
Transposta a porta ogival e subidos os cincos degraus, estamos num
passadiço que comunica com as aberturas assentes em mata-cães,
destinados à colocação de peças de artilharia. Devido à sua disposição,
estas podiam cobrir a totalidade da área do rio e do vale. A defesa do
fortim e zona destinada à diminuta guarnição era assegurada por uma
muralha em pedra, ao fundo da qual foi aberto um fosso com uma
profundidade apreciável e de difícil, ou quase impossível,
transposição, pois ainda hoje apresenta uns três metros. Embora a
sua estrutura actual nos dê indícios de se tratar de uma construção
datável das guerras da Restauração, pelo menos, poderemos reportá-la na
época Fernandina ou aos inícios da segunda dinastia, o que nos é
sugerido pelos mata-cães que sustentavam as aberturas destinadas aos
canhões, que tinham por missão apoiar o Castelo de Cerveira e o Forte
de Lovelhe, que por estarem muito próximos do rio eram, dada essa
localização, muito mais vulneráveis.
16 - Capela de Nossa Senhora da Encarnação Diz
a tradição que no local onde hoje se ergue um cruzeiro em granito, a
sul da capela, apareceu Nossa Senhora da Encarnação, representada sob a
forma de uma pequena imagem, sentada dentro de um oratório de folha e
vidro com umas asas. Acrescenta ainda que numa gruta de penedia, perto
da capela, vivia um ermitão que era guardião da Senhora.
Já um
documento das Memórias Paroquiais de 1758, fazia referência a uma
capela de Nossa Senhora de Encarnação, de construção pobre, sita no
monte de Crasto. No altar talhado em madeira encontrava-se a imagem de
Nossa Senhora da Encarnação e no altar lateral as imagens do Senhor do
Socorro, Santa Luzia e Santa Brízida. Em 1944, um incêndio destruiu a
capela escapando a imagem da padroeira por se encontrar na Igreja da
paróquia.
De imediato se iniciou a reconstrução da capelinha,
que foi decorrendo de forma gradual, conforme as doações dos fiéis,
sendo inaugurada em 1967. Mais tarde procedeu-se à abertura de uma
estrada e arranjos no exterior da capela.
17 – Cervo ( Miradouro) A
escultura do Cervo, da autoria do escultor José Rodrigues, localiza-se
no cimo de uma colina, denominada de Alto do Crasto e devido à sua
localização, é um miradouro por excelência.
Surgiu como forma
de homenagem ao símbolo da vila, num local onde em tempos idos, os
veados cobriam as encostas férteis em pastos.
18 – Convento de S. Paio A
cerca de 6 quilómetros a nascente de Vila Nova de Cerveira, no extremo
das freguesias de Loivo e Candemil, encontra-se o Convento de S. Paio. Teve
como fundador o frei franciscano Gonçalo Marinho, que aproveitou a
existência no local de uma antiga ermida dedicada a S. Paio, para
construir o convento, em 1932. Todavia, só no século XVII adquiriu a
estrutura que hoje ainda se mantém.
De acordo com a lei
monástica o convento possuía um claustro, quadrado, com cinco arcos de
meio ponto; o claustro era ajardinado com canteiros altos, tendo tido
chafariz ao meio, belíssimo exemplar que se encontra hoje na Casa da
Loureira, em Gondarém.
A arcada dava acesso às celas da casa monacal, à sala do capítulo e à igreja conventual.
Na
parede da capela-mor foi colocado um jazigo alto com os restos mortais
do Mestre de Campo Francisco Soares Malheiro, Governador de Vila Nova
de Cerveira.
O edifício acabou por cair em ruínas aquando da
extinção das ordens religiosas em Portugal. O recheio do convento foi
saqueado ou desviado para outros espaços.
Actualmente, o
convento sofreu uma restauração pelo actual proprietário, o escultor
José Rodrigues, que teve o cuidado de acautelar uma parte significativa
da sua traça primitiva e o transformou num Centro de Arte, com um
espólio bastante significativo de Pintura, Escultura e Arte Sacra.
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