Bienal de Cerveira acolhe conversa e performance da francesa ORLAN
Dia fica também marcado por um ciclo transfronteiriço de performance que chega ao Centro Goianés, na Galiza, reunindo três artistas no âmbito da exposição “¿De qué casa eres?”
Quase meio século após ter protagonizado um dos episódios mais ousados e marcantes da arte contemporânea em Portugal, a criadora francesa ORLAN regressa ao país para revisitar a sua própria história. No sábado (dia 17 de outubro), às 14h30, a XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira acolhe a reinterpretação de Se vendre sur les marchés en petits morceaux, a ação com que a artista desafiou convenções em 1977, nos IV Encontros Internacionais de Arte nas Caldas da Rainha. O dia fica também marcado por um ciclo transfronteiriço de performances que chega ao Centro Goianés, Goián (Galiza), no âmbito da exposição ¿De qué casa eres?. O programa insere-se no “Dia Aberto no Museu” que contempla entrada gratuita nas atividades e exposições.
A reinterpretação desta performance por ORLAN no Largo da Feira volta a colocar no centro do debate a reflexão crítica sobre o corpo, a representação e os mecanismos de mercantilização da arte que consagraram a autora como uma das figuras mais radicais e pioneiras no contexto da arte contemporânea internacional. Logo após a ação performativa, entre as 16h00 e as 17h00, realiza-se uma conversa aberta com a artista no Museu Bienal de Cerveira, com tradução para português, que vai revisitar o seu trajeto e recordar o impacto da sua passagem por Portugal no período pós-25 de Abril de 1974. No âmbito da programação desta edição da Bienal, os visitantes poderão ver a sua obra S’habiller de sa propre nudité, integrada na Coleção Galeria Alvarez.
Bienal de Cerveira sublinha o seu carácter transfronteiriço
No final da tarde, a programação da Bienal expande a sua dimensão geográfica e atravessa a raia em direção ao Centro Goianés, em Goián, na Galiza. Dando corpo ao mote “Territórios sem Fronteira”, que orienta esta edição da iniciativa, o ciclo de performances conta com curadoria de Mafalda Santos e Manuel Santos Maia e reúne três artistas no âmbito da mostra coletiva ¿De qué casa eres?. A exposição, que está patente no Museu Bienal de Cerveira até ao dia 30 de dezembro, parte da obra homónima de Ana Pérez-Quiroga, que reflete sobre os conceitos de pertença, exílio, casa e memória.
A jornada em território galego arranca às 18h30 de Portugal com a criadora sul-coreana Jiôn Kiim e a instalação e performance Lugar para Chá, que cruza cerâmica, pintura sobre madeira recuperada e uma composição sonora captada entre Portugal e a Coreia. Segue-se, às 19h00 (20h00 em Espanha), a apresentação da peça inédita In This Quiet Place, Dooset Daram, da investigadora e performer luso-iraniana Rebecca Moradalizadeh, que percorre um tradicional pano persa de partilha (sofreh) com terra vermelha, especiarias e alimentos, materializando as fraturas da diáspora e a distância de um Irão sob o trauma da guerra. O programa culmina uma hora depois, com FAUXSIMILE, uma performance vocal e eletrónica site-specific de Ece Canlı que desafia os limites físicos e tecnológicos da voz.
Neste sentido, convidamos o vosso órgão de comunicação social a acompanhar a performance e conversa com ORLAN, que decorre este sábado, dia 17 de outubro, a partir das 14h30, em Vila Nova de Cerveira.
Programa:
Vila Nova de Ceveira
- 14h30: Performance “Se vendre sur les marchés en petits morceaux” | Largo da Feira
- 16h00: Conversa com ORLAN, orientada por Paula Parente Pinto | Museu Bienal de Cerveira
Centro Goianés, Goián, Galiza
- 18h30 PT / 19h30 ES: Jiôn Kiim, “Lugar para Chá”
- 19h00 PT / 20h00 ES: Rebecca Moradalizadeh, “In This Quiet Place, Dooset Daram”
- 20h00 PT / 21h00 ES: Ece Canlı, “Fauxsimile”
@Joel Saget AFP


