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Roteiro Histórico

  • Igreja da Misericórdia

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    A Igreja da Misericórdia é dedicada ao Senhor Ecce-Homo, cuja imagem, segundo a tradição, foi encontrada enterrada no lugar das Cortes e, desde tempos imemoriais profundamente venerada pelos povos da região e até da vizinha Galiza.

    A sua existência remonta à criação da Santa Casa da Misericórdia, que da veneração pelo Senhor Ecce- Homo mandou construir um altar em inícios do séc. XVII, para mais tarde ampliar para uma capela. A construção da igreja atual foi iniciada por volta de 1811. Sobre a porta principal sobressai a coroa da realeza portuguesa. No interior da igreja conservam-se duas imagens anteriores à construção da mesma: Nossa Senhora do Leite, em pedra ançã, do séc.XV e o Senhor Ecce-Homo, em madeira, coberto por um manto, do final do séc.XVI.

  • Igreja Matriz

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    A Igreja atual, dedicada a S. Cipriano, apresenta, na sua fábrica, planta de três naves, separadas por arcos formeiros assentes em grossas colunas toscanas, um arco triunfal de meio ponto, neoclássico, e uma capela-mor relativamente exígua para as proporções da igreja. Em contrapartida, exibe um retábulo barroco de grande beleza, bem como outros laterais da mesma época. A fachada é de feição barroca, bastante imponente e abraçada por duas torres sineiras.

    Esta igreja foi reconstruída no século passado, após o derrube de quase toda ela por um vendaval, em 2 de Janeiro de 1877.

  • Antigo Hospital

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    O corpo principal do edifício data dos inícios do século XVIII. Trata-se de uma construção apalaçada, de modelo neoclássico.

    No ano de 1862, ao ser comprado pela Misericórdia, passou a albergar o hospital. É nesta época que lhe é acrescentado o corpo Oeste. Posteriormente teve outras funções, sendo hoje em dia ocupado pela Escola Tecnológica Artística e Profissional do Vale do Minho.

  • Aro Arqueológico de Lovelhe


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    Localizado entre a Ponte da Amizade e a Praia da Lenta, compreende uma vasta área com vestígios arqueológicos que nos mostram os últimos 2100 anos de história.
    O monte de Lovelhe foi um local que desde cedo conheceu a ocupação humana. Corria o final do 1º milénio a.c. quando aqui surgiu o primeiro povoado - um castro. Tratava-se de uma pequena comunidade vocacionada para a exploração dos recursos piscícolas. Contudo, este local rapidamente conheceria o advento da romanização, fruto da facilidade de contactos comerciais que se podiam desenvolver através do Rio Minho. Aliás, ao chegarmos ao séc. IV d.c., momento em que aqui existia uma importante villae romana, vamos detetar a existência de um porto, e vastas áreas de armazenagem de ânforas, vasos destinados a conter vinho, azeite entre outros produtos, todos eles destinados, àquilo que era à época um comércio bem estruturado. Desta forma vemos surgir entre os inúmeros vestígios arqueológicos restos de cerâmicas gregas, vidros fenícios e moedas romanas provenientes dos locais mais distantes do Império.

  • Capela da Nossa Senhora da Ajuda


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    Sobre a Porta da Vila e barbacã foi construída, por volta de 1650, a capela de Nossa Senhora da Ajuda. Trata-se de um pequeno templo, a condizer com a arquitetura da época, mas cujas armas reais, primitivamente em talha dourada, foram feitas pelo canteiro Justino José Esteves, em 1908.
    O teto, apainelado, apresenta pinturas alegóricas à padroeira. As paredes estão revestidas por azulejos, tipo tapete, da fábrica de Coimbra. Calcula-se que sejam de fins do século XVII.

    Foi sede, também, de uma confraria de militares.

  • Capela de Nossa Senhora da Encarnação


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    Diz a tradição que no local onde hoje se ergue um cruzeiro em granito, a sul da capela, apareceu Nossa Senhora da Encarnação, representada sob a forma de uma pequena imagem, sentada dentro de um oratório de folha e vidro com umas asas. Acrescenta ainda que numa gruta de penedia, perto da capela, vivia um ermitão que era guardião da Senhora.

    Já um documento das Memórias Paroquiais de 1758, fazia referência a uma capela de Nossa Senhora de Encarnação, de construção pobre, sita no monte de Crasto. No altar talhado em madeira encontrava-se a imagem de Nossa Senhora da Encarnação e no altar lateral as imagens do Senhor do Socorro, Santa Luzia e Santa Brízida. Em 1944, um incêndio destruiu a capela escapando a imagem da padroeira por se encontrar na Igreja da paróquia.

    De imediato se iniciou a reconstrução da capelinha, que foi decorrendo de forma gradual, conforme as doações dos fiéis, sendo inaugurada em 1967. Mais tarde procedeu-se à abertura de uma estrada e arranjos no exterior da capela.

  • Capela de S. Sebastião

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    A devoção a S. Sebastião ganhou importância com o decorrer das Guerras da Restauração, tendo decorrido a construção desta capela entre os finais do século XVII e inícios do século XVIII, pela guarnição militar que se abrigava no interior do castelo. Trata-se de um edifício de estilo popular, desprovido de ornatos. No interior destaca-se o altar em talha dourada, assim como as imagens de S. Sebastião, Nossa Senhora das Dores e Santa Cecília. Estrategicamente virada para o rio, fora pensada para pedir Protecção da fome, da peste e da guerra.

  • Casa Verde

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    Imponente construção apalaçada, final do século XIX de estilo brasileiro, que se desdobra em rés-do-chão, primeiro andar e águas furtadas. A fachada exterior está coberta por azulejos de tonalidade esverdeada e a platibanda recortada, coroada de cráteras em granito, com um guerreiro romano, em faiança branca a ocupar a parte central.

  • Castelo de Vila Nova de Cerveira

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    Surgiu por volta de 1320, por vontade do monarca D. Dinis, com a finalidade de defender a recém criada povoação de Vila Nova de Cerveira.

    De forma oval, medindo cerca 260 metros de perímetro, com o eixo maior de 90 metros e o menor de 65, o castelo de Cerveira encontra-se defendido por oito torres, quadradas, das quais cinco se encostam à cortina do Sul, por ser a de mais fácil ataque. As muralhas têm 7,50 metros de altura sobre 2 metros de espessura e as torres vão de 8 a 13 metros de bombardeiras. Os muros de barbacã atingem 6 metros com 1,50 de grossura, acompanhando a saliência dos torreões.

    Conserva ainda toda a couraça medieval de muros, cujas pedras enegrecidas pelo tempo mostram as marcas dos 55 pedreiros que o reformaram nos fins do século XV. Mantêm-se íntegras algumas portas, tais como a do acesso e a de recurso, habitualmente denominada porta da traição, ambas de tipo ogival correspondente à época da construção: a porta de honra é a da torre principal (dos Mouros ou de Menagem) e que foi demolida até meio em 1844. Sobre as aduchas dos seus arcos vêem-se ainda os escudos de D. Dinis.

    As cortinas entre os cubos salientes denotam obra de várias épocas, como facilmente mostram o modo de construção, indo o enxerto da bateria joanina sobre o rio, pelo lado do poente.

  • Cervo ( Miradouro)

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    A escultura do Cervo, da autoria do escultor José Rodrigues, localiza-se no cimo de uma colina, denominada de Alto do Crasto e devido à sua localização, é um miradouro por excelência.

    Surgiu como forma de homenagem ao símbolo da vila, num local onde em tempos idos, os veados cobriam as encostas férteis em pastos.

  • Convento de S. Paio

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    A cerca de 6 quilómetros a nascente de Vila Nova de Cerveira, no extremo das freguesias de Loivo e Candemil, encontra-se o Convento de S. Paio.

    Teve como fundador o frei franciscano Gonçalo Marinho, que aproveitou a existência no local de uma antiga ermida dedicada a S. Paio, para construir o convento, em 1932. Todavia, só no século XVII adquiriu a estrutura que hoje ainda se mantém.

    De acordo com a lei monástica o convento possuía um claustro, quadrado, com cinco arcos de meio ponto; o claustro era ajardinado com canteiros altos, tendo tido chafariz ao meio, belíssimo exemplar que se encontra hoje na Casa da Loureira, em Gondarém.

    A arcada dava acesso às celas da casa monacal, à sala do capítulo e à igreja conventual.

    Na parede da capela-mor foi colocado um jazigo alto com os restos mortais do Mestre de Campo Francisco Soares Malheiro, Governador de Vila Nova de Cerveira.

    O edifício acabou por cair em ruínas aquando da extinção das ordens religiosas em Portugal. O recheio do convento foi saqueado ou desviado para outros espaços.

    Atualmente, o convento sofreu uma restauração pelo atual proprietário, o escultor José Rodrigues, que teve o cuidado de acautelar uma parte significativa da sua traça primitiva e o transformou num Centro de Arte, com um espólio bastante significativo de Pintura, Escultura e Arte Sacra.

  • Estação de Via Sacra com 7 nichos da Paixão de Cristo

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    Trata-se de um conjunto de sete oratórios, com os Passos da Via Sacra, em estilo barroco, construídos no século XVIII. Distribuem-se pelo aro histórico da vila e, na Semana Santa, são palco de manifestações de fé. A fachada é constituída por duas pilastras com capiteis Jónicos, que sustentam um frontão quebrado em forma de voluptas. O frontão é encimado ao centro por uma cruz e por dois pináculos nas extremidades.

    O nicho que se encontra situado na Travessa da Matriz, de arquitetura setecentista, é semelhante aos demais. O Senhor do Horto é composto por um Cristo angustiado, de joelhos, e um Anjo que lhe apresenta o cálice da amargura na noite da Sua Prisão.

    Incrustado na parede da Quinta das Penas, na confluência da Rua das Penas com a Rua da Calçada, encontra-se o nicho do Senhor do Pretório. Aqui, o Senhor está de mãos atadas e de manto púrpura.

    Na estrada nacional n.º 13, alguns metros a norte da ligação ao hospital, está o Senhor da Prisão, onde Cristo está preso à coluna.

    Na direção do Arrabalde, situa-se o Senhor da Cana Verde, que se conserva na sua capela-nicho, construída no entroncamento desta rua com a Travessa do Arrabalde.

    No início da Rua Queiróz Ribeiro, na confluência com a Travessa do Senhor dos Passos, regista-se a capela do Senhor das Oliveiras. Este nicho apresenta o Senhor ao ser-lhe entregue a cruz.
    Situado na Rua Costa Pereira, o Senhor dos Passos carrega a cruz e, por fim, o último dos nichos é dedicado ao Senhor dos Martírios, que se encontra acoplado à parede do Solar dos Castros.

  • Fonte da Vila


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    A Fonte da Vila foi o local onde, até ao aparecimento da água canalizada, a população se vinha abastecer. Por este facto, foi um espaço de encontro e de divulgação de notícias.
    Tratasse de uma fonte de mergulho, com acesso em escadaria, com frontão triangular moldurado. No espelho da fonte, encontra-se um escudo com as armas reais encimado por uma coroa. Pelo tipo de escudo e frontão, a sua cronologia aponta para meados do séc. XVII. Sobressaem ainda as três bicas em forma de carranca.

  • Forte de Lovelhe

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    A situação fronteiriça de Vila Nova de Cerveira, expô-la com gravidade aos perigos da guerra com a vizinha Espanha. Entretanto, para fechar o cerco a qualquer tentativa de passagem pelo Rio Minho, foi construído o Forte de Lovelhe.

    O Forte é produto de engenharia militar da época, foi construído entre 1660 e 1662 sob a direção do Mestre de Campo General D. Francisco de Azevedo. É uma fortaleza abaluartada, com a forma de um trapézio e estava preparado para resistir às tentativas de união ibérica preconizada pela dinastia filipina, acabando contudo por prestar outros relevantes serviços ao país, nas guerras que se seguiram, isto é na Guerra de Sucessão de Espanha, na Guerra do Pacto de Família e na Guerra Peninsular. A sua ação foi contudo bem mais relevante, quando das Invasões Francesas, ao impedir as tropas sob o comando de Soult de efetuarem a travessia do Rio Minho, em frente a Vila Nova de Cerveira, em 13 de Fevereiro de 1809.

  • Fortim da Atalaia

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    A atalaia é a mais pequena das fortificações que constituíram o conjunto defensivo de vila nova de Cerveira, desde os tempos mais remotos, garantindo igualmente com a sua participação na defesa do Minho.

    Situa-se na Serra da Gávea, a poente da Capela de Nossa Senhora da Encarnação, num cotovelo do monte, do qual se avista toda a vasta área do rio Minho, desde terras de Valença a território de Caminha. Trata-se de um pequeno fortim de forma circular, atualmente encoberto por denso matagal, composto de vegetação de pequeno porte e frondosas mimosas. Transposta a porta ogival e subidos os cincos degraus, estamos num passadiço que comunica com as aberturas assentes em mata-cães, destinados à colocação de peças de artilharia. Devido à sua disposição, estas podiam cobrir a totalidade da área do rio e do vale. A defesa do fortim e zona destinada à diminuta guarnição era assegurada por uma muralha em pedra, ao fundo da qual foi aberto um fosso com uma profundidade apreciável e de difícil, ou quase impossível, transposição, pois ainda hoje apresenta uns três metros.
    Embora a sua estrutura atual nos dê indícios de se tratar de uma construção datável das guerras da Restauração, pelo menos, poderemos reportá-la na época Fernandina ou aos inícios da segunda dinastia, o que nos é sugerido pelos mata-cães que sustentavam as aberturas destinadas aos canhões, que tinham por missão apoiar o Castelo de Cerveira e o Forte de Lovelhe, que por estarem muito próximos do rio eram, dada essa localização, muito mais vulneráveis.

  • Memória

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    Para homenagear os heróicos defensores do Minho, durante a “Guerra Peninsular”, foi inaugurado, em Vila Nova de Cerveira, um monumento a 5 de Setembro de 1909. Este assenta em cinco balas de ferro bronzeado e uma pirâmide que remata por uma estrela hexagonal, de cobre dourado.

    A pirâmide tem, numa das faces, o escudo real com silva e, na outra, as armas de Vila Nova de Cerveira.

    A “Memória” foi construída por subscrição popular. A primeira pedra foi implantada no dia 15 de Fevereiro de 1909. Reinava, então, D. Manuel II.

  • Pelourinho

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    Localiza-se dentro do castelo, em frente aos antigos Paços do Concelho e datado de 1547. Assente sobre quatro degraus quadrangulares, ergue-se num fuste oitavado, encimado pelo capitel paralelepipédico de bom efeito decorativo e ornamentado com quatro escudetes, em granito de Sopo. Os escudetes têm as quinas, um emblema heráldico dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira e a data de construção nos restantes dois.

    O pelourinho de Cerveira é símbolo de jurisdição municipal.

  • Solar dos Castros

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    Magnífico edifício, que ostenta na parte central o brasão dos Castro – seis arruelas dentro de escudo oval, suportado por dois leões armados em tenentes. Atualmente alberga a Biblioteca Municipal.

    A sua classificação como Imóvel de Interesse Público, em 1970, deveu-se ao facto de se tratar de uma bela construção do século XVII, que foi incendiado e saqueado durante as Guerras da Restauração. Reconstruído no século XVIII adquiriu a traça arquitetónica que ainda hoje mantém.

    Contém uma vasta galeria arquitravada com colunas dóricas. A fachada principal apresenta dois corpos de quatro sacadas, seis gárgulas e grande cimalha. É também de grande relevo a magnífica escadaria interior, bem como uma ampla varanda de colunas sobre um grande jardim murado, que se situa nas traseiras do edifício.