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Aquamuseu disponibiliza conteúdo de exposições online

2020/05/11

Ainda de portas fechadas ao público como medida de contenção à pandemia COVID-19, o Aquamuseu do rio Minho passa a disponibilizar a informação de duas exposições com recurso aos meios digitais, contribuindo para um maior conhecimento e aprendizagem relativamente a duas espécies: o sável e o negrão.

Seja por motivos pedagógicos, científicos ou apenas a título de curiosidade, a informação detalhada ilustrada com registos fotográficos consta no website do Aquamuseu, e será replicada faseadamente na Página do Facebook – Aquamuseu do Rio Minho, com o indicativo ‘Sabia que…’

“A pesca do sável ao longo dos tempos” é o título da primeira exposição, na qual se retrata a morfologia e a biologia desta espécie anádroma (que migra do mar para o rio), a distribuição geográfica, a pesca ao longo dos tempos, e os períodos e artes de pesca.

Já a mostra que destaca o negrão também aborda a morfologia desta espécie demersal conhecida pelos pescadores como barbadinho, além do seu habitat e a alimentação.

O Sável

  • MORFOLOGIA E BIOLOGIA

O sável possui o corpo alargado e comprimido lateralmente, com escamas arredondadas. Apresenta cor verde azulada a cinzento no dorso e prateada no ventre. Possui uma mancha negra junto do bordo superior da abertura opercular. O comprimento varia entre os 35-40 cm, podendo atingir os 80 cm. As fêmeas podem atingir 6 Kg de peso, mas raramente ultrapassam os 4 Kg.

Espécie anádroma (migra do mar para o rio), entrando nos rios na primavera. Antes da existência de barragens, e nos rios mais longos, o sável chegava a migrar mais de 700 Km para realizar a postura. Apesar de alguns poderem regressar ao mar, após a desova, pensa-se que a maioria morre antes de lá chegar. Há evidências que demonstram que o sável reproduz-se no rio onde nasceu.

No mar, o sável alimenta-se de pequenos crustáceos, peixes e algas. Quando entram na água doce deixam de se alimentar. A desova acontece entre maio e julho, e os reprodutores quando entram no rio têm entre 3 e 9 anos de idade. Em geral, as fêmeas são mais velhas e maiores. Dependendo do peso, podem produzir entre 100000 e 600000 ovos. Normalmente estes ovos são colocados em fundo de gravilha, em profundidades inferiores a 1,5 metros, sendo que o sável é muito sensível à poluição e à construção de barragens.

  • DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

O sável distribui-se desde a Islândia até à costa Atlântica de Marrocos. A sua presença em determinadas áreas é esporádica, caso da Escandinávia (Noruega, Suécia e Finlândia), assim como nas Ilhas Britânicas. Em Portugal, podem-se encontrar nos rios Minho, Lima, Mondego, Tejo, Sado e Guadiana.

  • A PESCA AO LONGO DOS TEMPOS

Os registos oficiais conhecidos sobre a captura de sável, iniciaram-se em 1914, O valor mais alto, registado pelos pescadores portugueses, aconteceu em 1925 e 1939, com 115000 sáveis.

A partir de 1976, o registo deixou de ser em número de exemplares capturados para se fazer em peso. Entre 1980 e 2004, o valor máximo registou-se em 1980, com 18000 Kg e o mínimo em 1988 com 300 kg. Em 2004, os pescadores portugueses declararam valores na ordem dos 6000 Kg. A diminuição da quantidade de sável está associada à progressiva construção das barragens no rio Minho.

  • PERÍODOS E ARTES DE PESCA

No rio Minho o período de pesca entre a parte sul das ilhas de Verdoejo e o mar é de 1 de março e 31 de maio, enquanto nas pesqueiras acima da Torre da Lapela é de 1 de abril a 1 de junho. Entre a parte sul das ilhas de Verdoejo (Monção) e o mar - rede de tresmalho (noite). O algerife era usado nesta zona antigamente de dia mas deixou de se usar quando a quantidade de sável diminui acentuadamente. Nas pesqueiras, a montante da Torre da Lapela - Botirão e cabaceira

 

 

O Negrão

  • MORFOLOGIA

O negrão também conhecido pelos pescadores como barbadinho, é uma espécie demersal, pois passa a maior parte do tempo junto ao substrato no fundo do rio e do mar, que pode chegar a ultrapassar os 50 cm de comprimento, ainda que geralmente a sua média ronda os 30 cm e o quilo de peso. O seu corpo é fusiforme, tem uma cabeça bastante plana na parte superior, e uma boca pequena que apresenta um lábio superior espesso. A sua coloração varia entre um cinzento/azulado e o prateado na sua zona ventral.

  • HABITAT

Estes peixes gostam de viver em cardume, podem viver tanto em águas doces ou salobras, podendo então ser encontrados tanto junto da costa no mar, zonas do estuário ou mesmo é zonas do rio de água doce.

  • ALIMENTAÇÃO

A sua alimentação baseia-se principalmente em pequenos invertebrados, detritos e algas, utilizando o seu lábio superior para raspar as conchas dos invertebrados para as obter.

  • REPRODUÇÃO

Os machos atingem a sua maturação sexual por volta dos 2 anos, enquanto as fêmeas normalmente, só ocorre volta do seu terceiro ano de vida. A reprodução ocorre no inverno, entre os meses de novembro e abril, no mar e cada fêmea pode pôr um milhão de ovos. Tanto os ovos como as larvas são pelágicos, pois distribuem-se pela coluna de água.

  • PESCA

Apesar de não ser um dos peixes mais apreciados, tem uma grande aceitação e valor para os pescadores desportivos e profissionais que, aproveitando a sua forte presença nas zonas do estuário, por vezes os tentam capturar utilizando respetivamente a cana ou a rede mugeira, para comer. Como principal ameaça esta espécie tem a poluição da água em algumas das zonas do estuário.

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Gabinete de Comunicação