“Gospel de Judas” reinventa tradição com ironia e participação popular
No próximo sábado, dia 4 de abril, Vila Nova de Cerveira volta a celebrar a tradicional Queima de Judas, numa edição que reafirma o cruzamento entre tradição e criação contemporânea. Este ano, o espetáculo “O Gospel de Judas” propõe uma abordagem inovadora e comunitária, aliando humor, reflexão e espiritualidade.
Através de uma fusão entre stand-up comedy, música ao vivo e teatro comunitário, a criação apresenta uma leitura crítica e bem-humorada dos desafios da sociedade atual. Num ambiente de celebração e partilha, o público é convidado a reconhecer, com ironia, os “judas” do quotidiano — da hipocrisia social às fragilidades humanas — promovendo o riso coletivo e a reflexão.
O momento central da iniciativa - a queima simbólica do boneco de Judas - assume-se como um gesto de purificação e recomeço, evocando a libertação dos males do passado e reforçando o espírito de renovação e união comunitária.
Promovida pela Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira desde 2006, com criação artística da Comédias do Minho, esta iniciativa tem como objetivo aproximar a comunidade das artes performativas, incentivar o reencontro com a tradição e fortalecer os laços intracomunitários. O projeto envolve a participação ativa de associações culturais locais, do grupo de teatro amador Outra Cena e de uma companhia profissional de teatro.
A Queima de Judas recupera um ritual ancestral associado à transição do inverno para a primavera, simbolizando a morte do ano velho e o renascimento. Cruzando elementos pagãos e da tradição judaico-cristã, a celebração condena simbolicamente Judas enquanto figura da traição, enquanto assinala a ressurreição de Jesus Cristo. O fogo surge como elemento central deste ritual, representando purificação, transformação e renovação.
Ficha Artística
Direção e Coordenação Artística: Tânia Almeida
Intérpretes: Carlos Malvarez, Grupo de Teatro de Amadores – Outra Cena, Associações e elementos da comunidade de Vila Nova de Cerveira
Criação de Texto: Sara Gigante
Música: Beatriz Rola
Construção de Adereços: Luís Silva, Pedro Morgado e Théo Wengleswski


