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‘Os Doze Pares de França nas Aldeias’ de Cerveira

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2016/02/18

Depois da estreia no Teatro Nacional D. Maria II, ‘Os Doze Pares de França’, com encenação de João Pedro Vaz (Comédias do Minho), chegam às aldeias numa versão intimista, em que o auto popular profano é o centro de um serão de teatro e memória de todas as noites de teatro (dança e música). De 25 a 27 de fevereiro, esta espetáculo pisa os palcos de algumas freguesias de Vila Nova de Cerveira, com entrada livre.

Nos rostos e corpos dos espectadores, a máquina de paisagem encontra cúmplices ativos para contar a história de como o imperador Carlos Magno, cristão patrono dos doze pares do reino, enfrenta as hostes do mouro Almirante Balão, pai da superstar Floripes.

Numa organização do Município e da Comédias do Minho, Vila Nova de Cerveira acolhe ‘Os Doze Pares de França nas Aldeias’, com a seguinte calendarização: dia 25 no Centro de Cultura de Campos, a 26 no Salão Paroquial de Covas e no dia 27, na Antiga Escola Primária de Gondarém. As sessões têm início às 21h00.

Em entrevista para o programa de Os Dozes Pares de França, no TNDMII, João Pedro Vaz referiu o seguinte: “Na verdade isto não é tanto sobre mouros e cristãos, mas sobre as alteridades e o espelho que uma comunidade usa para se marcar a partir da representação do auto. O auto é usado como atualização da comunidade naquele momento, e a figura da alteridade acaba por se diluir porque o que as pessoas estão ali a fazer é a confirmar que são o mesmo. O que é curioso é que quase não há alteridade que mais tarde ou mais cedo não provoque uma invasão. Só há alteridade a partir do momento em que descobres o outro e, muitas vezes, invades um espaço alheio. Senão havia duas histórias paralelas a decorrer, sem nunca se encontrarem. A alteridade não existe sem linhas de tensão, que podem ser interessantes ou não, mas muitas vezes são violentas. Aqui, os “minhotos” não trazem mais nada senão eles próprios, vêm com uma espécie de uma imagem de uma paisagem, de um território. E gostava que isso tivesse uma certa beleza, uma certa fragilidade. É como se eles se preparassem para vir invadir uma máquina de cena, mas depois, entre eles, a verdade é que estão cansados de estar na estrada, não têm armas... o grupo é mais frágil do que uma coisa de cavalaria parecia sugerir e do que aparentemente está no texto. Uma máquina de paisagem vs. uma máquina do teatro. Nas aldeias do Minho estão mesmo no lugar, quase na paisagem”.

Fotografia de Filipe Ferreira