Ato Inaugural da XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira
Discurso do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Rui Teixeira:
É com um enorme orgulho, profunda emoção e um elevado sentido de responsabilidade que vos dou as boas-vindas a Vila Nova de Cerveira, para a inauguração da XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira.
Hoje inauguramos mais uma edição daquela que é a mais antiga bienal de arte contemporânea da Península Ibérica.
Mas inauguramos muito mais do que uma exposição.
Celebramos uma ideia.
Uma comunidade.
E uma visão de futuro.
Há quase cinco décadas que Cerveira acredita que a cultura não é um complemento do desenvolvimento.
É o próprio desenvolvimento.
Foi esta convicção que permitiu transformar um pequeno concelho raiano numa referência internacional da arte contemporânea.
Poucos territórios conseguem afirmar uma identidade cultural tão consistente.
Em Cerveira, a arte deixou de ser apenas uma expressão artística.
Tornou-se identidade.
Somos conhecidos pela arte.
Somos reconhecidos pela criatividade.
Somos respeitados pela capacidade de acolher artistas de todo o mundo.
E isso é motivo de enorme orgulho para todos os cerveirenses.
Mas uma obra desta dimensão não se constrói apenas com um gesto fundador. Constrói-se com continuidade, persistência e compromisso.
A todos aqueles que ao longo dos anos e das anteriores edições contribuíram para manter viva e dinâmica a BIAC, o Município expressa a sua profunda gratidão.
O tema desta XXIV edição — “Territórios Sem Fronteira” — é particularmente feliz.
Porque traduz aquilo que Vila Nova de Cerveira sempre foi.
Somos filhos do Rio Minho.
Um rio que nunca separou Portugal da Galiza.
Pelo contrário.
Ao longo da História, uniu famílias, criou afetos, aproximou culturas, fez nascer amizades e construiu uma identidade comum.
Aprendemos desde cedo que existem fronteiras que apenas aparecem nos mapas.
Na vida das pessoas, o que verdadeiramente importa são as pontes.
E talvez por isso este concelho tenha feito da abertura ao mundo uma das suas maiores virtudes.
Aqui convivem artistas de dezenas de nacionalidades.
Aqui encontram-se diferentes culturas.
Aqui cruzam-se diferentes formas de pensar, de criar e de imaginar o futuro.
É precisamente isso que torna esta Bienal tão especial.
Num tempo em que o mundo parece voltar a levantar muros, a alimentar divisões e a transformar a diferença em motivo de conflito, a arte lembra-nos que existe outro caminho.
O caminho do diálogo.
Da liberdade.
Da curiosidade.
Da empatia.
E da paz.
A exposição central desta edição desafia-nos com uma pergunta aparentemente simples:
“¿De qué casa eres?”
Mas rapidamente percebemos que esta não é apenas uma pergunta sobre um lugar.
É uma pergunta sobre identidade.
Sobre memória.
Sobre pertença.
Sobre aquilo que levamos connosco quando tudo o resto muda.
Num mundo onde milhões de pessoas atravessam fronteiras por necessidade, por esperança ou simplesmente pelo desejo de encontrar uma vida melhor, esta Bienal recorda-nos que a verdadeira casa pode ser também a cultura, a liberdade, a dignidade e o encontro com o outro.
É esta capacidade de provocar reflexão que distingue a arte contemporânea.
Ela não nos oferece respostas fáceis.
Convida-nos, antes, a fazer melhores perguntas.
E isso é um serviço inestimável à democracia.
Quero deixar uma palavra de profundo reconhecimento à Fundação Bienal de Arte de Cerveira.
À Senhora Diretora Artística, Mafalda Santos.
Aos curadores.
À extraordinária equipa técnica.
Aos colaboradores.
Aos voluntários.
Às entidades parceiras.
Aos patrocinadores e mecenas.
E, naturalmente, aos 46 artistas oriundos de 16 países que aceitaram fazer parte desta edição, trazendo consigo diferentes experiências, diferentes linguagens e diferentes olhares sobre o mundo.
A todos, o Município de Vila Nova de Cerveira manifesta a sua mais profunda gratidão.
Esta Bienal é, acima de tudo, construída por pessoas.
Pessoas que acreditam que investir em cultura é investir em cidadania.
Que investir em arte é investir em liberdade.
Que investir em conhecimento é investir na paz.
Caras amigas e caros amigos,
Vivemos tempos exigentes.
Tempos de enorme transformação tecnológica.
Tempos de incerteza.
Tempos em que facilmente nos fechamos sobre nós próprios.
É precisamente por isso que precisamos mais da cultura.
Porque a cultura aproxima.
Porque a cultura combate o medo.
Porque a cultura cria pensamento crítico.
Porque a cultura nos lembra que aquilo que nos une é sempre maior do que aquilo que nos separa.
Vila Nova de Cerveira continuará a afirmar-se como uma Vila das Artes.
Continuará a investir na criação.
Na educação artística.
Na cooperação internacional.
Na valorização do património.
E na construção de uma comunidade cada vez mais criativa, inclusiva e aberta ao mundo.
É esse o compromisso que assumimos.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Que esta XXIV Bienal seja um espaço de encontro.
De diálogo.
De descoberta.
E de inspiração.
Que cada visitante saia daqui com mais perguntas do que aquelas com que entrou.
Porque é assim que a arte transforma.
É assim que as sociedades evoluem.
E é assim que continuaremos a fazer de Vila Nova de Cerveira um verdadeiro Território Sem Fronteiras.
Termino com as palavras de Albert Camus: “Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.”
Declaro oficialmente inaugurada a XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira.
Muito obrigado.
18 de julho de 2026 | Palco das Artes


